.filhos do rio-mar: narrativas visuais, científicas e populares

Estudos do campo socioambiental sustentam que a conservação da biodiversidade envolve, invariavelmente, relações conflitantes. De um lado, operam os interesses do modelo desenvolvimentista de progresso, cujas demandas e processos de produção ultrapassam os limites biofísicos dos ecossistemas; de outro, situam-se as crescentes demandas por justiça socioambiental e gestão democrática dos recursos naturais. Paradoxalmente, a lógica de conservação para a sustentabilidade, afinada com os princípios da economia verde e da eficiência técnica, não raro parece ignorar o valor dos conhecimentos tradicionais nos processos de conservação da biodiversidade, e as populações tradicionais, apesar do importante papel que exercem nesse sentido, encontram dificuldades para permanecer em seus territórios com autonomia, cultivando seus modos de vida e fortalecendo as culturas ecológicas que praticam há varias gerações.

Em Unidades de Conservação de uso sustentável, que permite a permanência de populações tradicionais, as relações em jogo parecem apontar para um estranho e mal colocado conflito entre os direitos das pessoas e o interesse público pela conservação da biodiversidade. Em territórios dessa natureza as variáveis que se colocam revelam um campo muito mais vasto e complexo de relações que ultrapassam a simples dualidade entre a socio-diversidade e a biodiversidade.

Buscando narrar  as ligações entre valores da tradição, da ciência e do mercado, as imagens a seguir pincelam os dilemas do manejo sustentável em unidades de conservação e seu impacto na vida dos moradores da floresta. As imagens foram registradas durante o ano de 2013, na Flona Tapajós/PA, em projeto de pesquisa de Ana Tereza Reis da Silva, vinculado ao grupo temático Gênese e significado da tecnociência: das relações entre ciência, tecnologia e sociedade no âmbito do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA). Em novembro de 2014, a série de fotografias que acompanha a pesquisa ganhou uma exposição em Brasília, no Instituto de Biologia da UnB.

Mais em:

As relações entre populações tradicionais e conservação ambiental

O diálogo entre ciência e saber tradicional para a conservação da biodiversidade

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